Aí você pega todos os seus planos, esperanças, algumas saudades e até medos guarda tudo em uma caixinha e diz para si mesmo: ''Espera só mais um pouquinho. Espera porque tudo tem seu tempo.''
Esse é o tempo que me resta pra reclamar todos meus problemas, pois depois não haverá nada nesse mundo que aborreça. Em 360 horas preciso chorar todas as minhas tristezas, porque logo não haverá mais espaço para elas. Meus braços mal podem esperar para envolverem-se em outros braços; meus olhos para mergulharem em outros olhos; meus lábios para tocarem mais uma vez os únicos lábios que gosto de sentir. E meu coração anseia para que os próximos 21600 minutos sejam os mais breves possíveis, para então sossegar e cessar o chorinho baixo antes de dormir. Cessar de uma vez por todas as 7 letras que, se por um lado angustiam, por outro fazem com que me sinta plena, porque encontrei o que eu queria. 15 dias e uma palavra que significam o mesmo se penso em você: Saudade.
Então cá estamos nós, e tão em breve não estaremos mais. Em nossos últimos dias podemos ler os olhos de cada um e enterdermos aquilo que durante anos nunca tentamos entender. Todos os dias fizemos o mesmo trajeto, cruzamos no corredor com as mesmas pessoas, murmuramos alguns olás e, mais tarde, alguns tchaus. Conhecer mesmo, muito pouco. Nunca me aproximei realmente de muitas pessoas ali porque elas não tinham necessariamente algo em comum comigo. Agora, têm. A mesma ansiedade, o mesmo cansaço e peso nos ombros, o contentamento ou a decepção no olhar. Nos últimos anos eu nunca havia percebido que o que me iguala a todos à minha volta é ter um sonho. Sinceramente, me arrependo das muitas vezes que deixei passar por mim pessoas que poderiam ter acrescentado muito em minha vida. Acho que esse sentimento não ocorre só em mim. Não que vá adiantar muita coisa, mas pra quem puder ler isso em tempo, gostaria de deixar meu adeus antes que nos separemos definitivamente. Primeiramente, peço desculpas a quem sabe pouco de mim porque não me deixei conhecer. E espero que a vida nos dê outra chance cruzando nossos caminhos por aí. Por fim, torço pra que a vida seja benevolente também com as amizades que não foram reforçadas por falta de tempo, pois seria de muito agrado que daqui pra frente o tempo nunca falte pra esse tipo de coisa. As amizades construídas ao longo desses anos, que durem de verdade. Ouvimos tanto por aí que amigos mesmo só se faz na faculdade. Queria que nosso caso fosse exceção. Nosso encontro mudou nossas vidas, e adoraria que levássemos isso conosco para os próximos anos também, nem que seja apenas no coração. Eu levarei.
''A vida é a arte do encontro''. Que o futuro nos reserve novos encontros e os velhos também.
Quando Deus constrói um laço, o amor jamais se acaba.
Gosto de acreditar que há mais gente nesse mundo que também se pega às vezes pensando nos mistérios que regem nossos caminhos. E se tem uma palavra que poderia resumir todo o propósito de eu ter criado esse blog é acaso, responsável por grande parte das minhas perguntas sem respostas. Não é a primeira vez que fico divagando sobre isso em textos, é verdade. Talvez, porém, eu ainda não compreendesse as dimensões de uma lei maior que qualquer vontade humana. Não digo que hoje sou mais esperta, que captei todas manhas, que entendo perfeitamente os sistemas da natureza. Mas devo reconhecer que nem que eu viva 800 mil anos só de estudos, um dia possa dizer ''não existe Deus''. Antes que alguém comece a achar isso tudo muita abobrinha, vou explicar. Eu mesma não tinha me atentado anteriormente que tudo o que tenho escrito tende a um único assunto: destino. Então comecei a procurar uma razão para isso. Percebi que começou em junho, quando tudo deu muito errado de uma só vez. Nem foi há tanto tempo, se for pensar, mas quando lembro me parece uma época longíqua e sombria. Trocando conversinhas por aí, cheguei a ouvir algo lindo, que eu receberia uma bênção em breve, que tinha algo especial reservado unicamente para mim, mas surgiria quando eu menos esperasse. Claro que foi inevitável não associar isso com vestibular. Até aí estava satisfeita, afinal, isso vinha sendo o foco de todas as minhas orações. O que eu não esperava era que tal dádiva viria não na forma de cifrões, de bons resultados no Enem ou entendimentos familiares. Viria na forma de alguém. Aí comecei a me perguntar: e se...? E se eu nunca tivesse tido aquelas decepções no mês de junho? E se no mês seguinte eu não tivesse viajado buscando me distrair? E se eu não tivesse aceito o convite pra sair naquela noite? E se eu não tivesse dito ''quero sentar lá na frente''? E se eu nunca sequer tivesse olhado para a minha esquerda? Se eu fingisse que não senti uma atração inexplicável pelo que vi? E se eu não tivesse ouvido a minha própria mãe? Meu Deus, o que teria acontecido?
E cheguei à uma conclusão. Teria acontecido exatamente tudo o que aconteceu. E se no fim das contas ao matar uma borboleta nunca seja causado um furacão do outro lado do mundo? E se o furacão aconteceu porque tinha que acontecer, estando a borboleta viva ou morta? E se era o destino da borboleta morrer? Qualé a dessa Teoria do Caos, afinal? Dizer que alguns resultados são instáveis e imprevisíveis e que estão em função de diversas variáveis é o mesmo que dizer que estão sujeitos ao acaso. Mas e se o acaso fosse, no fim das contas, um resultado determinado? Sinceramente, começo a pensar que é. E aí começar a viajar nas inúmeras possibilidades do que teria acontecido se eu, você ou o fulano não tivéssemos feito isso ou aquilo... é bobagem. De uma coisa fico a cada dia mais certa: existe alguém - ou algo - que sabe bem do que precisamos, e o guarda para o momento ideal. Costumo chamar isso de Deus. Pois é, quando nada mais parecia promissor, quando o futuro parecia não animar, encontrei aquilo que mencionaram que seria especial. A melhor coisa que poderia ter acontecido, e é difícil explicar em simples letrinhas tamanha satisfação que sinto. E quaisquer que fossem as escolhas ou caminhos tomados, o resultado seria o mesmo. Porque se fosse essencial que eu tivesse o conhecido, todos os meus caminhos me trariam até aqui.
Se ninguém entendeu o que quis dizer com tudo isso, desisto da raça humana.
Uma vez conheci um cara que dizia pensar em mim. Quis entregar meu coração E perguntei por três palavras Ele tinha sardas e mentiras na face E disse: não, não vou dizê-las Não direi ''Eu te amo''
Depois conheci um diferente que dizia gostar dos meus olhos. Receei entregar o coração e esperei por três palavras Ele não gostava de garotas espertas E disse: não, não vou dizê-las Não direi ''Eu te amo''
Então voltou o primeiro e quis tentar uma outra vez. Escondi bem o coração e nem pedi pelas três palavras Ele gostava de simular sentimentos E dizia: não, nunca irei dizê-las Eu não amo você e nem ninguém
Em seguida surgiu mais um que pediu uma chance também. Ele nunca teve meu coração Eu só queria ouvir três palavras Mas ele nunca soube o que queria E disse: não, não vou dizê-las não sei o que é te amar.
Por fim, conheci alguém quando não queria ninguém. Ele entregou o coração e usou aquelas três palavras Ele entendeu o que ninguém podia E disse o que eu queria ouvir: ''Entregue o seu.''
Diga, fazendo o favor diga a quem perguntar que eu não tenho respostas pro que acabei de inventar.
Diga que morri, cresci, sei lá ou que a vida me cresceu e que a saudade é o castigo de quem nunca a entendeu.
Fui ensinada a fingir sempre esconder, nunca mentir e tudo é tão incerto. Eu ouço rostos tão iguais dizerem coisas tão banais. Por que nunca esteve perto?
Tudo que sei, tudo que quis de repente parece errado. Isso deve ser o efeito de quando estive ao seu lado. Ta tudo bem, afinal até parece que o conheço. Mas este não é meu lugar e não sei aonde pertenço
Diga, fazendo o favor diga que nunca entendi o por quê daquelas vozes me ensinarem a fugir
Então diga que fugi, temi, sei lá diga o que quiser de mim, pode gritar pra todo mundo que nunca me viu assim
Não há como fingir esconder, sequer mentir se tudo está certo. Eu ouço coisas tão iguais e não importa se são banais porque você esteve perto.
Tudo o que soube, tudo o que quis de repente se torna passado. E a tristeza despediu-se quando estive ao seu lado. Ta tudo bem, afinal, e nem sei se mereço. Mas este não é meu lugar leve-me para onde pertenço.
Como pergunta vai, pergunta vem, a certeza vai, e então a dúvida. Logo chega aquela brecha em que você procurava, um break pra sua vida. Novos ares. Você coloca roupas na mala, todos os teus pertences e finge que está tudo bem. É como se você estivesse selecionando o que vai levar consigo. Só roupas e tudo o mais que é palpável. Angústias e medos... não, esses não cabem. E ficam. O vazio é o que resta, é a única testemunha da lágrima que rolou de um rosto triste e confuso, enquanto camisas e calças eram cuidadosamente dobradas à sua frente. Não só teu corpo mas tua alma caem na estrada. É um adeus, porque o retorno não será como a ida. Depois que teu espírito atravessar os limites da cidade, nada mais será como antes. Foi a forma que você encontrou de definir onde termina um sentimento. E lá estava você, sentindo um aperto desesperador a cada quilômetro que se afastava. Finalmente chega, e ao descer do carro, sabe estar no lugar certo. Na primeira noite, você até pensa um pouco na vida que deixou para trás, mas faz o possível para dispersar a mente e dorme. É no dia seguinte que você encontra uma forma de recompensar-te por tudo o que tem passado e se divertir. Talvez você pense que tudo é muito bom para ser verdade. Mas acredita. Nos dias seguintes você percebe que o que ficou para trás não te pertence mais. Percebe que pode estar cercado de amor se quiser, pode encontrar-se finalmente. E que pode ter todo o apoio que precisa para começar do zero, porque nunca esteve só. Você não se acha mais um ser humano estranho, com manias sem sentido e perdido em meio à uma multidão. E você gosta do universo que acabou de descobrir. Mas como tudo o que é bom, o fim chega. Porque aquele outro universo abandonado ainda te chama. Há algo para ser terminado. E quando você percebe que isso implica a tua infelicidade, chora. Chora muito. De repente nem teus amigos são mais o suficiente para te prender naquele lugar. ''Por que devo voltar?''. Na despedida, sente uma última lágrima rolar, enquanto acena da janela do carro para aqueles quem ama. O sol caminha pelo céu conforme o tempo passa. E a cada quilômetro que se afasta da cidade, novamente seu coração aperta, mas dessa vez por um motivo diferente. Ao chegar em casa, vê tudo do jeito que deixou. Até o vazio. E sua vida continua, seguindo a mesma rotina, as mesmas pessoas, os mesmos lugares. Mas algo mudou muito. Você não aguenta mais quem grita por qualquer motivo, quem faz as mesmas piadas, quem é imaturo, quem não te dá valor, quem te cumprimenta todo dia automaticamente, quem diz que te ama da boca pra fora, quem acha que sabe o que quer, quem não se esforça porque acha que tudo é muito difícil, quem só sabe falar de vestibular. A cara da tia da cantina te enjoou, os salgados têm sempre o mesmo gosto, os teus colegas se vestem sempre iguais, tudo é muito previsível e sem graça. Você morre de vontade de contar para os amigos sobre suas reflexões nos últimos dias, mas tudo o que eles dizem é ''Bacana''. Aonde foi parar a vontade de acordar, de sair? E para onde foi o prazer que era estar entre amigos e familiares? Ficou para trás, ficou onde você estava feliz. Lá você encontrou as respostas paras a maioria das perguntas que levava consigo quando chegou. As incertezas invadem sua alma: será que estou fazendo a melhor escolha? Esse é o meu destino? Enquanto isso, a angústia toma conta, enquanto você se enfia entre quatro paredes e tenta elaborar palavras difíceis para dizer, porque no dia seguinte você tem algo a resolver e alguém para magoar.
Veio assim, de repente, essa vontade de contar pra quem quiser saber a importância de um sentimento desse na vida de qualquer um que já tenha passado por essa fase. Bem, eu tinha acabado de completar 13 anos, quando alguém despertou algo dentro de mim pela primeira vez. É complicado explicar, quer dizer, eu desconhecia até o nome do sujeito, mas por Deus, juro que me apaixonei instantaneamente! Uma sensação confusa demais para uma menina que até então nem se atentava para esse tipo de coisa. Em pouco tempo, já éramos conhecidos e trocávamos cumprimentos. Amigos mesmo, não. Nossas conversas, porém, eram limitadas e eu me irritava - embora, por outro lado, já fosse o suficiente. Na verdade, eu queria arrancá-lo um elogio, um ''nossa, como você está bonita hoje às 7h da manhã''. Mas um ''bom dia'' bastava. Conforme o tempo foi passando, fui percebendo que todos os dias eu me levantava da cama com um único objetivo: ver esse garoto. Só ver, e pronto. E que ele me visse também. E quando nossos olhares se cruzavam, eu sentia que poderia ficar olhando praqueles olhos pelo resto da minha vida. Certo dia, chorei. Chorei porque meu sentimento era estranho. Aí já era tarde: eu nunca mais voltaria ao que eu era antes. Minha mãe, obviamente, percebeu. Depois de um certo tempo, acabei revelando o que sentia. Ela sempre me contou de suas paixonites de adolescência, e tinha um em especial, um tal de Henrique, que sempre fora o protagonista dessas histórias. Ao me ver daquele jeito, percebi que em minha mãe nasceu certa nostalgia, uma saudade saudável do tempo em que ela também amou - esse amor jovem e ansioso. Pedi pra ela para que me contasse direito essa história, e ela narrou cada detalhe que se lembrava. É engraçado como a memória de minha mãe é uma das piores que conheço, mas ela era capaz de lembrar todas as cores, cheiros e sons daquela época. Ela sorria enquanto contava que ele a esperava passar todos os dias na rua de sua casa sentado em cima de um muro; que os amigos afirmavam que ele guardava uma latinha de fotos dela no armário; que eles quase não se falavam, mas o amor dos dois se limitava em um olhar que dizia tudo. Mas essa história não teve final feliz. Porque depois de 2 anos, ele arrumou uma namorada. Todos os dias ela continuou passando pelo mesmo caminho para o colégio, mas ele não a esperava mais. Ele não a olhava mais. E ela acreditou que embora aquele amor ainda estivesse vivo nela, não estava mais nele. Ela rasgou todas as fotos que guardava dele. No mesmo ano, ele mudou de colégio e os dois nunca mais se viram. Essa história ela me contou sem qualquer mágoa, mas admitiu que sempre teve a sensação de que algo ficou incompleto. E foi por isso que ela começou a procurar notícias desse menino, que hoje já devia estar grisalho. Bom, 2 anos também se passaram para mim, e apesar dos garotos que eu conheci nesse tempo, aquele nome ainda gritava no meu coração. Eu o amava em segredo. Morria de medo de contar, então escrevia. Foi quando criei meu primeiro blog. Um dia, ele leu uma de minhas poesias, e eu quase tive um troço. Mas, ao contrário do que eu esperava, ele não me procurou. Arrumou uma namorada. Bom, aí eu tive mesmo um troço. Lembro até hoje que desabei a chorar no dia em que o vi de mãos dadas com outra. Doía tanto, que decidi nunca mais falar nem olhar para ele. Os meses foram passando, e eu fui aprendendo a suportar a dor da decepção. Nesse mesmo ano, ele terminou o ensino médio, e eu achei que nunca mais o veria. Até que certo dia, quando entrei no carro após sair do colégio, vi que minha mãe estava chorosa. Meu coração desconfiou. Ela me olhou bem e disse ''o Henrique morreu''.
O tempo passou, como era de se esperar. Quando as férias chegaram e fomos para a casa de meus avós, na cidade onde minha mãe viveu, ela me convidou para ir ao cemitério visitar o túmulo de minha bisavó. Algo inesperado aconteceu. Minha mãe congelou, repentinamente, diante de uma lápide. Me arrepiei. Lá estava a foto de um homem moreno, e embaixo, seu nome. Vi que os olhos dela se encheram de lágrimas e não conseguiu conter o choro triste. Nesse momento, nem eu pude me conter, e chorei, emocionada. Ela colocou a mão sobre a tampo frio de mármore e murmurou baixinho ''Como eu te amei...". Eu compreendi finalmente os sentimentos daquela mulher. Não é que ela ainda o amasse, com aquele amor apaixonado - até porque ela é casada né. Ela o amava com carinho, porque ele fez parte de sua vida, porque não havia como contar sobre sua juventude sem mencionar o nome dele. E quando aquele homem morreu - que na cabeça dela ainda era um garoto de 17 anos - parte de sua história morreu também. E aquela era a história mais triste que eu conhecia. A única coisa que ela me disse foi ''eu nunca soube se a latinha com fotos minhas realmente existiu''. Eu entendi o que ela quis dizer. Percebi que a minha história e a dela eram semelhantes demais, e eu temia descobrir dali uns 30 anos que o primeiro garoto que eu amei na vida havia morrido sem saber da verdade e sem eu saber se ele também sentiu o mesmo. Alguns meses depois, o procurei e abri meu coração. Mas sem declarações típicas de amor, porque meu sentimento havia evoluído. Eu apenas disse que, mesmo que ele não entendesse, meu carinho era muito grande, e que ele sempre seria lembrado como alguém que fez diferença na minha vida. Ele se emocionou e retribuiu-me com palavras sinceras e as mais maduras que poderiam ter sido ditas. Senti-me muito mais leve desde esse dia. E não, nós nunca ficamos juntos. Foi melhor assim, para que essa memória permaneça imaculada para sempre.
Ta, e pra quê contar histórias que não têm finais felizes? Depende pra quem tem final feliz. Continuei livre para conhecer pessoas que tinham muito mais a ver comigo, e fui feliz assim. Mentira, eu só me ferrei. Mas fui feliz, vai... E assim cada um segue seu caminho, conforme a ordem natural das coisas. Eu me apaixonarei mais 387274 vezes, um dia será pelo cara certo, me casarei, e o amarei de verdade, um amor que pré-adolescentes de 13 anos não sabem dimensionar. E daqui há anos, se eu ouvir falar naquele nome novamente, sentirei saudade. Falta, não, que fique bem claro. Uma saudade gostosa de uma época gravada para sempre em minha memória. O primeiro amor muda, vira um ''bem-querer'', mas nunca morre.
Um abraço amoroso, meloso e fresco. E viva essa viadagem que é se apaixonar!
Quem teve a oportunidade de acompanhar o ''cá com meus botões'' já deve ter percebido como faço referências à música do Chico Buarque, a que fala como tudo muda, que tudo é uma roda viva. Eu poderia fazer várias outras referências de música a respeito, como ''Only Time'', e cuja letra diz ''Quem pode dizer aonde vai a estrada, para onde vão os dias ? Só o tempo.'' Mas creio que se tem uma frase que se encaixa perfeitamente no meu contexto é ''deixa que o tempo vai cicatrizar''. Afinal, foi ele quem me trouxe até aqui e me fez mudar. E vai mudar ainda mais. E às vezes quando paro para pensar no passado, seja este anos ou semanas atrás, parece tão claro tamanha mudança que quase não me reconheço. Quando leio minhas postagens mais antigas, me vêm a sensação de que foram escritas por outra pessoa. Tantas dúvidas, tantos sentimentos, que hoje não passam de lembranças. Sim, eu lamento pelo fim de alguns, mas também dou graças a Deus. E, como disse em postagem anterior, tento aprender com isso. Às vezes também me vejo no direito de cobrar alguns indivíduos explicações plausíveis para esse fim. Mas é claro que não passaria de bobagem. Eu amadureci. Seria estupidez exigir o mesmo dos outros, já que cada um tem seu tempo de amadurecimento, ainda que para isso seja preciso cair do cavalo umas vinte vezes. Então, sobre tudo aquilo a que referi-me em textos e poesias, chego a uma conclusão: parece que o mundo parou e eu continuei. Não o mundo em si. O meu mundo. Aquele mundo do qual me despedi. E embora eu saiba muito bem que a vida continua para todos, a impressão que tenho é que certas pessoas permaneceram num passado longínquo e continuam lá. Se de vez em quando paro para ler esses textos, me vêm uma nostalgia desse tempo e suas sensações, como se eu pudesse ver aqueles rostos novamente. Mas logo passa. E os sentimentos também. É como se essas pessoas não tivessem existido, como se eu nunca tivesse ido a certos lugares nem nunca tivesse sentido aquelas dúvidas, tristezas, saudades e paixões. Ah, as paixões! Essas são as mais fáceis de mudar, e logo as que acreditamos que durariam por serem tão intensas. Sinceramente? Ainda bem que não duram. O que seria de nossa evolução interior se mudássemos tudo, menos nossa forma de sentir - ou o objeto de desejo? E quanto aos que foram mencionados inúmeras vezes por mim em outro tempo? Os amores, os amigos, familiares. Bem... Quem te viu, amor... quem te viu por meus olhos soube logo de início tua importância para mim , viu que eras perfeito à sua maneira e que teu riso me enchia de meiguisse; viu que todos meus problemas evaporaram repentinamente e tudo era bom, porque te conheci. Quem me vê... vê que a minha vida não se tornou melhor nem pior, que as ''importâncias'' foram transferidas, que tudo segue seu rumo, e de repente seu riso não tem mais graça, embora a meiguisse nunca tenha me deixado; os velhos problemas foram substituídos mas tudo continua bom, porque conheço pessoas incríveis todos os dias. Quem te viu, amigo... quem te viu por meus olhos sabe que eras alguém em quem podia confiar meus segredos, alguém que admirava, que torcia para ser feliz. Quem me vê... vê também que perdi minha admiração, que sua presença se tornou indiferente, e percebo quando me olhas com ressentimento por algo que não fiz. Quem te viu, família... pelos meus olhos, qualquer um te veria como fortaleza, como sinônimo de segurança e heroísmo; aos meus olhos você estava em um pedestal, um ser infalível, respeitoso, lutador e modelo de sabedoria. Quem me vê... não sabe aonde foi parar o conforto que sentia ao estarmos juntos, porque nunca fostes perfeito e comete muitos erros, principalmente o de não ser respeitoso. Minha admiração nunca morreu, nem meu amor, mas às vezes me vem o pensamento terrível de que só conseguiria ser quem sou, sem ser reprimida, se você fosse diferente. Quem me viu sabe que acreditei e desacreditei incontáveis vezes. Quem me vê sabe que deixo levar e gosto de ser assim. Quem me vê não reconhece. E quem me via, não vai mais ver.
Essa nossa vida juvenil sempre chega a um ponto em que a gente acha que não dá conta. Por exemplo: • não dou conta das apostilas • muitas vezes não dou conta dos meus pais • não dou conta da minha vida social com essa chuva! • não dou conta de entender os garotos • não dou conta de minha falta de paciência com quem se nomeia "Srta. Lanza" no orkut • não dou conta de mim mesma na tpm • não dou conta da última fase do Super Mário -> pasmem • impossível dar conta do vestibular • impossível dar conta de 30 exercícios de física • não dou conta de cozinhar arroz • não dou conta de namorado (sorry, Travis) • não dou conta do meu cabelo com essa umidade • não dou conta do meu astral com tanto frio • não dou conta da lista de espera na locadora • não dou conta de tanto trânsito e me deprime ficar na fila • não dou conta de exercícios físicos (sorry, Abrão)
Enfim. Acho que não dou conta de %$#@& nenhuma. É por isso que estou fugindo para um cantinho relax, para que possa presenciar uma paisagem bucólica, adotar uma tiriva e pescar um baiacu. Por hora, fica a minha dica: conheçam Generationals
Tanto tempo depois, parece que finalmente começo a compreender certas coisas. Não sei se há mais alguém nesse mundo que pense da mesma forma, mas eu tenho a terrível mania de querer buscar um propósito em tudo que acontece, e é por isso que às vezes surge em mim uma recusa em aceitar o fim. Não aceito quando não tiro algum aprendizado de certas situações. Mas, trocando figurinha com quem entende, cheguei à conclusão de que há, sim, um aprendizado a ser tirado, quando se sabe onde procurá-lo. Entre muitas das coisas que aprendi ultimamente, algumas são: • Não sufoque os inúmeros defeitos de um cara com suas raras qualidades; • Nunca subestime a infalível intuição feminina; • Certifique-se de que a ex dele não faz mandinga; • Eu não gosto muito de sertanejo, mas "borboletas sempre voltam", então chute pra longe essa desgraça
Agora falando de bons aprendizados... Realmente não importa quem foi, como foi, quando tempo durou ou o quanto me chateei. Passei a ver tudo com bons olhos e até com mais sensatez. Percebi que até os piazinhos de bosta merecem perdão, mesmo que não estejam arrependidos. Me sinto, hoje, muito em paz, e quando lembro de alguns nomes, dou risada, mas não de menosprezo. Rio ao lembrar das noites em claro, do chororô, da fossa interminável. E quando lembro dos figuras, é impossível não concluir que eu só podia estar louca! Eu tenho em minha lista de ex-algumacoisa, caras com baixa auto-estima, egocêntricos, inseguros, bregas, de péssimo gosto musical, de baixo IMC, melosos demais, piá de prédio e filhinho de papai, de sexualidade questionável e os de coração de pedra.
Mas não podemos esquecer que, um dia, esses caras já foram os queridos, fofos, lindos, amados e etc. que, mesmo por um breve período, trouxeram alguma alegria. E é por isso que eu digo que, se tem algo que aprendi com os relacionamentos - e os que nem chegaram a tanto - é que cada um deles teve sua participação na minha vida. Encontrarei ainda muitas pessoas pela frente. Algumas prosseguirão comigo e em algum momento acabarão ficando para trás. Mas seria tolice ignorar o fato de que um dia estiveram em meu caminho. Essa é, portanto, uma saudação à quem já foi capaz de despertar sentimentos que nem eu conhecia. Embora sejam página virada, certos nomes sempre serão lembrados por aquilo que me fizeram sentir. Porque embora uma adolescente não possa deixar de chorar e sentir raiva às vezes, conforme o tempo passa, percebo com clareza o que eu devo aproveitar de tudo isso para saber quem fica e quem deve ir.
E pra quem vai, eu digo: Você foi importante para mim.
e quando o amor vai o adeus... entala em suas gargantas como algodão cresce em seus corações como chuva os bons tempos de repente são totalmente esquecidos a caça começa novamente."
Olha, não tem coisa que me tira mais do sério que esse tal dia dos namorados. Coraçõezinhos pra todo lado e a gente é obrigado a se conformar com filas e rebuliço pra todo lugar que se vá. E como se não bastasse ter que dividir o próprio aniversário com os namorados alheios, ainda é preciso aceitar a idéia de não ter um.
Bom, eu achei que ia morrer hoje de tanto ciúmes, por ter que me despedir de quem eu gosto cedo demais, por ter que ceder a outra pessoa um dia que deveria ser meu. Mas não morri. Logo o contrário, me sinto mais feliz. Hoje, entretanto, ouvi o melhor conselho de aniversário que poderia receber. Não é o tal “antes só que mal acompanhada”. Mas um “para que você seja feliz, algumas vezes o Adeus é a única saída”. Grande dica! Eu sei que é uma baita ironia que a garota que nasceu no dia mais romântico do ano seja a única que não consegue ser feliz nesse setor. Mas se pra mim, pra mim, é um dia como outro qualquer, é pra qualquer um então. Desejo um Feliz dia do Solteiro, do Esperançoso, do que segue em frente ou do que já desistiu. E para os apaixonados, digo que não existe dia certo pra demonstrar amor ou simplesmente a satisfação de ter alguém ao lado. Dias dos namorados é todo dia. E dêem flores, pelo amor de Deus!
Minhas felicitações, principalmente para os que desejam que o dia 12 de junho seja o mais curto possível. hehe
Hoje acordei assustada, tive um pesadelo horrível. Sonhei que você ia embora para reconfortar-se em outros braços. Sonhei que ficava esperando por você, mas não recebia nenhum sinal de sua existência. Sonhei que chorava ao telefone enquanto você dizia “Desculpe, mas é a verdade”. Sonhei que o chão se abria sob meus pés. Então acordei, confusa. Pela janela do quarto, vi que hoje fazia um dia lindo e ensolarado, apesar de frio, ao contrario de sexta, chuvoso e deprimente. Pensei em te ligar para aproveitarmos o dia juntos. Mas não encontrei seu número na minha lista de contatos. Suas mensagens também sumiram. Procurei por outras pistas, como as músicas que me mandou. Também desapareceram, exceto uma: I hateeverythingaboutyou. Meu desespero aumentava. Seria possível que não fora um pesadelo? Liguei para o primeiro número que poderia lembrar, e quem atendeu foi quem me disse: “Aconteceu, e de novo.” Eu quase não pude acreditar. Era como se eu já tivesse visto esse filme antes, com você mudando de idéia tão repentinamente. Duas situações diferentes, mas nas duas a mesma despreocupação em me magoar. Pra que dizer que meu lugar é ao seu lado, se acredita que o seu lugar é ao lado de outro alguém? Pra que dizer que sou insubstituível se acaba de fazer isso? E como não é capaz de responder às minhas perguntas, tente ao menos essa: Por que você voltou? Sinceramente, espero que ela nunca lhe faça o que acabou de fazer.
O que me resta agora é ouvir pela ultima vez a música que me faz lembrar teu nome (e você sabe disso), e então prosseguir.
“I’m herewithoutyou, but you're stillwith me inmy dreams”
18 de maio de 2010
"Estou cansada de ser o que você quer que eu seja
Sentindo tão infiel, perdida sob a superfície Eu não sei o que você está esperando de mim Sob a pressão de andar em seus sapatos Cada passo que eu dou é outro erro para você
Você não consegue ver que está me sufocando? Segurando tão forte, com medo de perder o controle Porque tudo o que você pensava que eu seria Caiu por terra bem na sua frente Cada passo que eu dou é outro erro para você E cada segundo que eu desperdiço é mais do que posso suportar
E eu sei, posso acabar falhando também Mas eu sei Você era exatamente como eu Com alguém desapontado com você.''
Desculpe-me. Eu te amo, mas tudo isso me faz muito mal.
Durante boa parte da minha vida eu aprendi que demonstrar sentimentos nos fragilizava diante do outro, e nos tornava vulneráveis. A princípio até pensei que tudo isso era uma grande bobagem, até a minha primeira decepção, e a segunda, e a terceira, e etc. e percebi como dói. Eu estabeleci uma regra pra minha vida: nunca mais poderia sentir isso novamente. Aí cheguei à brilhante conclusão de que se eu não me expusesse, nada poderia acontecer. E eu estava certa, nada acontece. Nada acontece com quem não se arrisca, nada acontece com quem não luta, quem não aposta. Abloutamente nada acontece com quem acredita que manter uma distância confortável é a melhor maneira de ser manter salvo. E se nada acontece, é impossível alguém ser feliz insistindo em acreditar que não vale a pena. Então eis a dica de uma veterana que deseja abrir o coração: é terrível o sentimento causado pelo fim de um relacionamento. Mas não há nada pior do que um ''e se...'' assombrando os pensamentos. E se você tivesse arriscado? E se tivesse tido coragem? E se tivesse acreditado? O ceticismo e a covardia só levam a um único fim: escrever num blog. Tanta coisa pra ser dita. Bastava ter escutado a voz que gritava por dentro. Mas ao invés disso ela foi calada. Quando for tarde demais, grite, chore, esperneie.. em vão. Calar-se não será mais uma escolha. Esqueçam toda aquela conversa de que o amor é um risco que preferimos não correr. O que não vale a pena é descobrir da pior forma que valia a pena, afinal.
Hoje essa música me quebrou as pernas, embora eu não tenha deixado de rir.
“O que você ganha quando beija um cara? Você ganha germes suficientes pra pegar pneumonia Depois de pegar ele nunca vai te ligar Eu nunca me apaixonarei novamente.”
Resultado do dia: Dez a zero, e não se fala mais nisso.
Como de praxe, eu ando muito reflexiva. Mas ainda mais reflexiva que antes. Acredito que isso seja perfeitamente normal entre os jovens, principalmente os que se encontram num contexto pré-vestibular.
Mas cara, que merda. Eu me revolto demais. Há menos de dois anos, no meu antigo blog, escrevi algo sobre a questão da liberdade e etc., baseada na lavagem cerebral que o filme “Into the Wild” fez nessa minha cabecinha sonhadora. Aliás, quem nunca viu deveria ver, a-no-te. Mas enfim, eu poderia vir aqui meter a boca no sistema de educação do país, dizer que me recuso a pagar 3 mil conto por mês por um curso de Medicina e que o processo de seleção para ingressar em universidades federais é um estupro mental. E ta, eu seria mais uma boboca dentre tantos. Mas ainda assim sinto uma necessidade enorme em desabafar, contar que estou enlouquecendo completamente, que tenho sonhado muito com contas matemáticas enquanto durmo e que toda essa porcaria eu faço sem saber o por quê. E minha maior raiva é saber que durante minha vida inteira eu tive certeza do curso ideal pra mim e hoje tenho tantas dúvidas que fica quase impossível tomar alguma decisão. Eis então minha revolta: não basta ser jovem, ter tantas ambições, tantos planos, tantas dúvidas, tantas modificações, certezas, conflitos internos e etc, esse caminho pelo qual terei que passar chega a ser uma enorme tortura psicológica. Então, enquanto essas perguntas me assombram, e assombram mais uma galera também, eu procuro não esquecer das pequenas alegrias de que a vida é feita. Essa semana, prestes a ter um surto, uma convulsão ou sei lá o que, atirei a apostila pra bem longe, vesti uma roupa bacana e fui passear. Perdi, sim, boas horas de estudo, mas não trocaria por nada o dia lindo que fazia fora das paredes do quarto, o sol que me aquecia quando batia um ventinho gelado, senhorinhas passeando com seus cães, mães passeando com seus filhos, a piazada de skate, minha antiga professora me observando de longe com cara feia, o açougueiro simpático, minha vizinha com seus trocentos gatos, enfim... a vida acontecendo. (Uma paisagem um tanto quanto bucólica, eu diria.) Não posso abrir meu direito de tomar um ar fresco, de ter meu lazer, de comprar mentos todo dia na panificadora da esquina, de passear com meu cachorro no museu, andar de roller no parque, de acender um incenso e não fazer absolutamente na-da. E você, caro, vestibulando ou não, nunca deixe de fazer o mesmo. Pule de pára-quedas quando puder, viaje com pouco dinheiro e uma mochila (te invejarei se conseguir), todos esses sonhos absurdos e extremistas, ou então contente-se com um passeio pelo bairro mesmo, e assim como eu vai descobrir quantas pessoas interessantes vivem perto de você, passam pelas mesmas ruas, compram pão nos mesmo lugares, freqüentam as mesmas praças. Vai encontrar uma espécie de pássaro que nunca tinha visto, um brotinho crescendo no concreto, uma cigarra envolvida pela seiva, talvez o amor da sua vida (eu preciso admitir que esses dias cheguei a pensar isso enquanto voltava pra casa). O mundo em que vivemos não nos permite enxergar o sagrado de cada momento de paz consigo mesmo. O mundo de pressas, formalidades, por demais regulamentado. O ingresso nesse mundo é quase inevitável, mas faça um favor a si mesmo e o atrase o quanto puder.
Ou ao menos tenha certeza de alguma coisa e não seja uma perdida como quem vos fala. Perdida, confusa e cheia de minhoquinhas na cabeça, ao menos tenho muito riso pra gastar por aí.
“Ninguém deveria se levar tão a sério como tantos anos pela frente para andar na linha.”