Como de praxe, eu ando muito reflexiva. Mas ainda mais reflexiva que antes. Acredito que isso seja perfeitamente normal entre os jovens, principalmente os que se encontram num contexto pré-vestibular.
Mas cara, que merda. Eu me revolto demais.
Há menos de dois anos, no meu antigo blog, escrevi algo sobre a questão da liberdade e etc., baseada na lavagem cerebral que o filme “Into the Wild” fez nessa minha cabecinha sonhadora. Aliás, quem nunca viu deveria ver, a-no-te.
Mas enfim, eu poderia vir aqui meter a boca no sistema de educação do país, dizer que me recuso a pagar 3 mil conto por mês por um curso de Medicina e que o processo de seleção para ingressar em universidades federais é um estupro mental. E ta, eu seria mais uma boboca dentre tantos. Mas ainda assim sinto uma necessidade enorme em desabafar, contar que estou enlouquecendo completamente, que tenho sonhado muito com contas matemáticas enquanto durmo e que toda essa porcaria eu faço sem saber o por quê. E minha maior raiva é saber que durante minha vida inteira eu tive certeza do curso ideal pra mim e hoje tenho tantas dúvidas que fica quase impossível tomar alguma decisão.
Eis então minha revolta: não basta ser jovem, ter tantas ambições, tantos planos, tantas dúvidas, tantas modificações, certezas, conflitos internos e etc, esse caminho pelo qual terei que passar chega a ser uma enorme tortura psicológica.
Então, enquanto essas perguntas me assombram, e assombram mais uma galera também, eu procuro não esquecer das pequenas alegrias de que a vida é feita. Essa semana, prestes a ter um surto, uma convulsão ou sei lá o que, atirei a apostila pra bem longe, vesti uma roupa bacana e fui passear. Perdi, sim, boas horas de estudo, mas não trocaria por nada o dia lindo que fazia fora das paredes do quarto, o sol que me aquecia quando batia um ventinho gelado, senhorinhas passeando com seus cães, mães passeando com seus filhos, a piazada de skate, minha antiga professora me observando de longe com cara feia, o açougueiro simpático, minha vizinha com seus trocentos gatos, enfim... a vida acontecendo.
(Uma paisagem um tanto quanto bucólica, eu diria.)
Não posso abrir meu direito de tomar um ar fresco, de ter meu lazer, de comprar mentos todo dia na panificadora da esquina, de passear com meu cachorro no museu, andar de roller no parque, de acender um incenso e não fazer absolutamente na-da. E você, caro, vestibulando ou não, nunca deixe de fazer o mesmo. Pule de pára-quedas quando puder, viaje com pouco dinheiro e uma mochila (te invejarei se conseguir), todos esses sonhos absurdos e extremistas, ou então contente-se com um passeio pelo bairro mesmo, e assim como eu vai descobrir quantas pessoas interessantes vivem perto de você, passam pelas mesmas ruas, compram pão nos mesmo lugares, freqüentam as mesmas praças. Vai encontrar uma espécie de pássaro que nunca tinha visto, um brotinho crescendo no concreto, uma cigarra envolvida pela seiva, talvez o amor da sua vida (eu preciso admitir que esses dias cheguei a pensar isso enquanto voltava pra casa).
O mundo em que vivemos não nos permite enxergar o sagrado de cada momento de paz consigo mesmo. O mundo de pressas, formalidades, por demais regulamentado. O ingresso nesse mundo é quase inevitável, mas faça um favor a si mesmo e o atrase o quanto puder.
Ou ao menos tenha certeza de alguma coisa e não seja uma perdida como quem vos fala.
Perdida, confusa e cheia de minhoquinhas na cabeça, ao menos tenho muito riso pra gastar por aí.
“Ninguém deveria se levar tão a sério como tantos anos pela frente para andar na linha.”
Mark Hoppus
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