27 de julho de 2010

Quem te viu, quem me vê

Quem teve a oportunidade de acompanhar o ''cá com meus botões'' já deve ter percebido como faço referências à música do Chico Buarque, a que fala como tudo muda, que tudo é uma roda viva. Eu poderia fazer várias outras referências de música a respeito, como ''Only Time'', e cuja letra diz ''Quem pode dizer aonde vai a estrada, para onde vão os dias ? Só o tempo.''
Mas creio que se tem uma frase que se encaixa perfeitamente no meu contexto é ''deixa que o tempo vai cicatrizar''. Afinal, foi ele quem me trouxe até aqui e me fez mudar. E vai mudar ainda mais.
E às vezes quando paro para pensar no passado, seja este anos ou semanas atrás, parece tão claro tamanha mudança que quase não me reconheço. Quando leio minhas postagens mais antigas, me vêm a sensação de que foram escritas por outra pessoa. Tantas dúvidas, tantos sentimentos, que hoje não passam de lembranças. Sim, eu lamento pelo fim de alguns, mas também dou graças a Deus. 
E, como disse em postagem anterior, tento aprender com isso. Às vezes também me vejo no direito de cobrar alguns indivíduos explicações plausíveis para esse fim. Mas é claro que não passaria de bobagem. Eu amadureci. Seria estupidez exigir o mesmo dos outros, já que cada um tem seu tempo de amadurecimento, ainda que para isso seja preciso cair do cavalo umas vinte vezes.
Então, sobre tudo aquilo a que referi-me em textos e poesias, chego a uma conclusão: parece que o mundo parou e eu continuei. Não o mundo em si. O meu mundo. Aquele mundo do qual me despedi.
E embora eu saiba muito bem que a vida continua para todos, a impressão que tenho é que certas pessoas permaneceram num passado longínquo e continuam lá. Se de vez em quando paro para ler esses textos, me vêm uma nostalgia desse tempo e suas sensações, como se eu pudesse ver aqueles rostos novamente. Mas logo passa. E os sentimentos também.
É como se essas pessoas não tivessem existido,  como se eu nunca tivesse ido a certos lugares nem nunca tivesse sentido aquelas dúvidas, tristezas, saudades e paixões. Ah, as paixões! Essas são as mais fáceis de mudar, e logo as que acreditamos que durariam por serem tão intensas. Sinceramente? Ainda bem que não duram. O que seria de nossa evolução interior se mudássemos tudo, menos nossa forma de sentir - ou o objeto de desejo?
E quanto aos que foram mencionados inúmeras vezes por mim em outro tempo? Os amores, os amigos, familiares. Bem...
Quem te viu, amor... quem te viu por meus olhos soube logo de início tua importância para mim , viu que eras perfeito à sua maneira e que teu riso me enchia de meiguisse; viu que todos meus problemas evaporaram repentinamente e tudo era bom, porque te conheci.
Quem me vê... vê que a minha vida não se tornou melhor nem pior, que as ''importâncias'' foram transferidas, que tudo segue seu rumo, e de repente seu riso não tem mais graça, embora a meiguisse nunca tenha me deixado; os velhos problemas foram substituídos mas tudo continua bom, porque conheço pessoas incríveis todos os dias.
Quem te viu, amigo... quem te viu por meus olhos sabe que eras alguém em quem podia confiar meus segredos, alguém que admirava, que torcia para ser feliz.
Quem me vê... vê também que perdi minha admiração, que sua presença se tornou indiferente, e percebo quando me olhas com ressentimento por algo que não fiz.
Quem te viu, família... pelos meus olhos, qualquer um te veria como fortaleza, como sinônimo de segurança e heroísmo; aos meus olhos você estava em um pedestal, um ser infalível,  respeitoso, lutador e modelo de sabedoria.
Quem me vê... não sabe aonde foi parar o conforto que sentia ao estarmos juntos, porque nunca fostes perfeito e comete muitos erros, principalmente o de não ser respeitoso. Minha admiração nunca morreu, nem meu amor, mas às vezes me vem o pensamento terrível de que só conseguiria ser quem sou, sem ser reprimida, se você fosse diferente. 


Quem me viu sabe que acreditei e desacreditei incontáveis vezes. Quem me vê sabe que deixo levar e gosto de ser assim.
Quem me vê não reconhece.
E quem me via, não vai mais ver.

15 de julho de 2010

Get me away from here, I'm dying

Essa nossa vida juvenil sempre chega a um ponto em que a gente acha que não dá conta. Por exemplo:
• não dou conta das apostilas
• muitas vezes não dou conta dos meus pais
• não dou conta da minha vida social com essa chuva!
• não dou conta de entender os garotos
• não dou conta de minha falta de paciência com quem se nomeia "Srta. Lanza" no orkut
• não dou conta de mim mesma na tpm
• não dou conta da última fase do Super Mário -> pasmem
• impossível dar conta do vestibular
• impossível dar conta de 30 exercícios de física
• não dou conta de cozinhar arroz
• não dou conta de namorado (sorry, Travis)
• não dou conta do meu cabelo com essa umidade
• não dou conta do meu astral com tanto frio
• não dou conta da lista de espera na locadora
• não dou conta de tanto trânsito e me deprime ficar na fila
• não dou conta de exercícios físicos (sorry, Abrão)

Enfim. Acho que não dou conta de %$#@& nenhuma. É por isso que estou fugindo para um cantinho relax, para que possa presenciar uma paisagem bucólica, adotar uma tiriva e pescar um baiacu.
Por hora, fica a minha dica: conheçam Generationals

<a href="http://generationals.bandcamp.com/track/when-they-fight-they-fight">When They Fight, They Fight by Generationals</a>

Não esqueçam de agradecer à sua cidade pelo clima maravilhoso e convidativo. 
Boas férias à todos e usem chapinha nessas mechas sedosas.
Paz!