Veio assim, de repente, essa vontade de contar pra quem quiser saber a importância de um sentimento desse na vida de qualquer um que já tenha passado por essa fase.
Bem, eu tinha acabado de completar 13 anos, quando alguém despertou algo dentro de mim pela primeira vez. É complicado explicar, quer dizer, eu desconhecia até o nome do sujeito, mas por Deus, juro que me apaixonei instantaneamente! Uma sensação confusa demais para uma menina que até então nem se atentava para esse tipo de coisa.
Em pouco tempo, já éramos conhecidos e trocávamos cumprimentos. Amigos mesmo, não. Nossas conversas, porém, eram limitadas e eu me irritava - embora, por outro lado, já fosse o suficiente. Na verdade, eu queria arrancá-lo um elogio, um ''nossa, como você está bonita hoje às 7h da manhã''. Mas um ''bom dia'' bastava.
Conforme o tempo foi passando, fui percebendo que todos os dias eu me levantava da cama com um único objetivo: ver esse garoto. Só ver, e pronto. E que ele me visse também. E quando nossos olhares se cruzavam, eu sentia que poderia ficar olhando praqueles olhos pelo resto da minha vida. Certo dia, chorei. Chorei porque meu sentimento era estranho. Aí já era tarde: eu nunca mais voltaria ao que eu era antes.
Minha mãe, obviamente, percebeu. Depois de um certo tempo, acabei revelando o que sentia. Ela sempre me contou de suas paixonites de adolescência, e tinha um em especial, um tal de Henrique, que sempre fora o protagonista dessas histórias. Ao me ver daquele jeito, percebi que em minha mãe nasceu certa nostalgia, uma saudade saudável do tempo em que ela também amou - esse amor jovem e ansioso. Pedi pra ela para que me contasse direito essa história, e ela narrou cada detalhe que se lembrava. É engraçado como a memória de minha mãe é uma das piores que conheço, mas ela era capaz de lembrar todas as cores, cheiros e sons daquela época. Ela sorria enquanto contava que ele a esperava passar todos os dias na rua de sua casa sentado em cima de um muro; que os amigos afirmavam que ele guardava uma latinha de fotos dela no armário; que eles quase não se falavam, mas o amor dos dois se limitava em um olhar que dizia tudo. Mas essa história não teve final feliz. Porque depois de 2 anos, ele arrumou uma namorada. Todos os dias ela continuou passando pelo mesmo caminho para o colégio, mas ele não a esperava mais. Ele não a olhava mais. E ela acreditou que embora aquele amor ainda estivesse vivo nela, não estava mais nele. Ela rasgou todas as fotos que guardava dele. No mesmo ano, ele mudou de colégio e os dois nunca mais se viram.
Essa história ela me contou sem qualquer mágoa, mas admitiu que sempre teve a sensação de que algo ficou incompleto. E foi por isso que ela começou a procurar notícias desse menino, que hoje já devia estar grisalho.
Bom, 2 anos também se passaram para mim, e apesar dos garotos que eu conheci nesse tempo, aquele nome ainda gritava no meu coração. Eu o amava em segredo. Morria de medo de contar, então escrevia. Foi quando criei meu primeiro blog. Um dia, ele leu uma de minhas poesias, e eu quase tive um troço. Mas, ao contrário do que eu esperava, ele não me procurou. Arrumou uma namorada. Bom, aí eu tive mesmo um troço. Lembro até hoje que desabei a chorar no dia em que o vi de mãos dadas com outra. Doía tanto, que decidi nunca mais falar nem olhar para ele. Os meses foram passando, e eu fui aprendendo a suportar a dor da decepção. Nesse mesmo ano, ele terminou o ensino médio, e eu achei que nunca mais o veria.
Até que certo dia, quando entrei no carro após sair do colégio, vi que minha mãe estava chorosa. Meu coração desconfiou. Ela me olhou bem e disse ''o Henrique morreu''.
O tempo passou, como era de se esperar. Quando as férias chegaram e fomos para a casa de meus avós, na cidade onde minha mãe viveu, ela me convidou para ir ao cemitério visitar o túmulo de minha bisavó. Algo inesperado aconteceu. Minha mãe congelou, repentinamente, diante de uma lápide. Me arrepiei. Lá estava a foto de um homem moreno, e embaixo, seu nome. Vi que os olhos dela se encheram de lágrimas e não conseguiu conter o choro triste. Nesse momento, nem eu pude me conter, e chorei, emocionada. Ela colocou a mão sobre a tampo frio de mármore e murmurou baixinho ''Como eu te amei...". Eu compreendi finalmente os sentimentos daquela mulher. Não é que ela ainda o amasse, com aquele amor apaixonado - até porque ela é casada né. Ela o amava com carinho, porque ele fez parte de sua vida, porque não havia como contar sobre sua juventude sem mencionar o nome dele. E quando aquele homem morreu - que na cabeça dela ainda era um garoto de 17 anos - parte de sua história morreu também. E aquela era a história mais triste que eu conhecia. A única coisa que ela me disse foi ''eu nunca soube se a latinha com fotos minhas realmente existiu''. Eu entendi o que ela quis dizer.
Percebi que a minha história e a dela eram semelhantes demais, e eu temia descobrir dali uns 30 anos que o primeiro garoto que eu amei na vida havia morrido sem saber da verdade e sem eu saber se ele também sentiu o mesmo. Alguns meses depois, o procurei e abri meu coração. Mas sem declarações típicas de amor, porque meu sentimento havia evoluído. Eu apenas disse que, mesmo que ele não entendesse, meu carinho era muito grande, e que ele sempre seria lembrado como alguém que fez diferença na minha vida. Ele se emocionou e retribuiu-me com palavras sinceras e as mais maduras que poderiam ter sido ditas. Senti-me muito mais leve desde esse dia. E não, nós nunca ficamos juntos. Foi melhor assim, para que essa memória permaneça imaculada para sempre.
Ta, e pra quê contar histórias que não têm finais felizes?
Depende pra quem tem final feliz. Continuei livre para conhecer pessoas que tinham muito mais a ver comigo, e fui feliz assim. Mentira, eu só me ferrei. Mas fui feliz, vai...
E assim cada um segue seu caminho, conforme a ordem natural das coisas. Eu me apaixonarei mais 387274 vezes, um dia será pelo cara certo, me casarei, e o amarei de verdade, um amor que pré-adolescentes de 13 anos não sabem dimensionar. E daqui há anos, se eu ouvir falar naquele nome novamente, sentirei saudade. Falta, não, que fique bem claro. Uma saudade gostosa de uma época gravada para sempre em minha memória. O primeiro amor muda, vira um ''bem-querer'', mas nunca morre.
Um abraço amoroso, meloso e fresco. E viva essa viadagem que é se apaixonar!
20 de agosto de 2010
2 de agosto de 2010
Renascendo (re-post)
Postado pela primeira vez em ''cá com meus botões'', e com grandes motivos para fazê-lo novamente.
Lentamente, deixe
lentamente ele vem
volta a bater
volta a viver
Razão de agora
soluço de outrora
seu domínio tão escasso
não tomará o espaço
que chamo de Emoção
Memória insolente
por ventura, um repente
fagulhas de poesias
não fizeram-me a cortesia
de poupar o coração
Mas lentamente
Lentamente ele vem
volta a bater
volta a viver
Acordes de escárnio,
armadilha que não caio,
sofridão que não interessa
cartazes de uma peça
que nem chamam atenção
E hoje canto, canto
e rio desse pranto
perdoando a arritimia
celebrando a ironia
de só amar meu violão
E lentamente
tão rapidamente ele vem
já voltou a bater
já voltou a viver
Lentamente, deixe
lentamente ele vem
volta a bater
volta a viver
Razão de agora
soluço de outrora
seu domínio tão escasso
não tomará o espaço
que chamo de Emoção
Memória insolente
por ventura, um repente
fagulhas de poesias
não fizeram-me a cortesia
de poupar o coração
Mas lentamente
Lentamente ele vem
volta a bater
volta a viver
Acordes de escárnio,
armadilha que não caio,
sofridão que não interessa
cartazes de uma peça
que nem chamam atenção
E hoje canto, canto
e rio desse pranto
perdoando a arritimia
celebrando a ironia
de só amar meu violão
E lentamente
tão rapidamente ele vem
já voltou a bater
já voltou a viver
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