“Tanto tempo passou e tanta água rolou, numa dessas, quem diria, que te vi.
Hoje você me força a procurar outros braços quaisquer que não os teus, isso porque não poderia eu correr para braços cujo dono é filho da pressa. E pra que pressa?
Eu já quis te pedir para que insistisse um pouco mais, e abusasse de sua paciência quando se confrontasse com minha resistência. Devia ter pedido. E é só mais uma das tantas coisas que poderia ter lhe falado.
Eu nunca te disse que guardo uma foto que você nunca viu.
Eu nunca te disse também que você é bem mais fotogênico que eu.
Eu nunca te disse, mas acho que o vermelho lhe cai muito bem.
Eu nunca te disse, mas eu entendo muito pouco de Quiromancia (pesquise no Google).
Uma vez eu menti não ter reparado nos teus traços.
Bem, eu nunca te disse, mas os conheço tão bem que seria capaz de reproduzi-los facilmente numa folha de caderno durante uma aula de Geopolítica.
Eu nunca te disse, mas já ouvi que sou uma versão feminina de você, e até hoje não entendi em que sentido eles me disseram isso.
Eu nunca te disse, mas você me faz chorar de rir.
Eu nunca te disse, mas também sinto nervosismo, embora você pense que não.
Eu nunca te disse, mas já senti ciúmes uma vez.
Eu nunca te disse que você tem cheiro de travesseiro limpo.
Eu nunca te disse que seu sotaque é engraçadinho.
Eu nunca te disse que admiro seu bom-humor.
Eu nunca te disse que me sinto à vontade com você.
Nunca te disse isso ou aquilo...
Há pouco menos de dois anos, tenho certeza de que foi quando te vi pela primeira vez, atravessando a rua enquanto eu passava de carro, e eu sequer te conhecia.
Eu nunca te disse, mas desde esse dia que penso em você.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário