1 de novembro de 2010

Borboletas e furacões

Gosto de acreditar que há mais gente nesse mundo que também se pega às vezes pensando nos mistérios que regem nossos caminhos. E se tem uma palavra que poderia resumir todo o propósito de eu ter criado esse blog é acaso, responsável por grande parte das minhas perguntas sem respostas. Não é a primeira vez que fico divagando sobre isso em textos, é verdade. Talvez, porém, eu ainda não compreendesse as dimensões de uma lei maior que qualquer vontade humana.
Não digo que hoje sou mais esperta, que captei todas manhas, que entendo perfeitamente os sistemas da natureza. Mas devo reconhecer que nem que eu viva 800 mil anos só de estudos, um dia possa dizer ''não existe Deus''. Antes que alguém comece a achar isso tudo muita abobrinha, vou explicar.
Eu mesma não tinha me atentado anteriormente que tudo o que tenho escrito tende a um único assunto: destino. Então comecei a procurar uma razão para isso. Percebi que começou em junho, quando tudo deu muito errado de uma só vez. Nem foi há tanto tempo, se for pensar, mas quando lembro me parece uma época longíqua e sombria. Trocando conversinhas por aí, cheguei a ouvir algo lindo, que eu receberia uma bênção em breve, que tinha algo especial reservado unicamente para mim, mas surgiria quando eu menos esperasse. Claro que foi inevitável não associar isso com vestibular. Até aí estava satisfeita, afinal, isso vinha sendo o foco de todas as minhas orações. O que eu não esperava era que tal dádiva viria não na forma de cifrões, de bons resultados no Enem ou entendimentos familiares. Viria na forma de alguém.
Aí comecei a me perguntar: e se...?
E se eu nunca tivesse tido aquelas decepções no mês de junho?
E se no mês seguinte eu não tivesse viajado buscando me distrair?
E se eu não tivesse aceito o convite pra sair naquela noite?
E se eu não tivesse dito ''quero sentar lá na frente''?
E se eu nunca sequer tivesse olhado para a minha esquerda?
Se eu fingisse que não senti uma atração inexplicável pelo que vi? 
E se eu não tivesse ouvido a minha própria mãe?
Meu Deus, o que teria acontecido?


E cheguei à uma conclusão. Teria acontecido exatamente tudo o que aconteceu.
E se no fim das contas ao matar uma borboleta nunca seja causado um furacão do outro lado do mundo?
E se o furacão aconteceu porque tinha que acontecer, estando a borboleta viva ou morta?
E se era o destino da borboleta morrer?
Qualé a dessa Teoria do Caos, afinal?
Dizer que alguns resultados são instáveis e imprevisíveis e que estão em função de diversas variáveis é o mesmo que dizer que estão sujeitos ao acaso. Mas e se o acaso fosse, no fim das contas, um resultado determinado? Sinceramente, começo a pensar que é.
E aí começar a viajar nas inúmeras possibilidades do que teria acontecido se eu, você ou o fulano não tivéssemos feito isso ou aquilo... é bobagem.
De uma coisa fico a cada dia mais certa: existe alguém - ou algo - que sabe bem do que precisamos, e o guarda para o momento ideal. Costumo chamar isso de Deus.
Pois é, quando nada mais parecia promissor, quando o futuro parecia não animar, encontrei aquilo que mencionaram que seria especial. A melhor coisa que poderia ter acontecido, e é difícil explicar em simples letrinhas tamanha satisfação que sinto.
E quaisquer que fossem as escolhas ou caminhos tomados, o resultado seria o mesmo. Porque se fosse essencial que eu tivesse o conhecido, todos os meus caminhos me trariam até aqui.




Se ninguém entendeu o que quis dizer com tudo isso, desisto da raça humana.

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