7 de janeiro de 2011

Cedo demais

Houve uma época em que a sensação de fugacidade do tempo me trazia angústia. E nessa época a indiferença entre viver e não viver acabava com minha vontade de levantar da cama. Então a realidade tomou conta dos meus sonhos também, e tudo se perdeu. E eu achava que nada no mundo poderia ocupar o enorme vazio que eu carregava, aqui dentro, em silêncio. Bem, eu estava errada. 
Foi no verão de 2009 que as coisas começaram a mudar no meu coração. Eu, me julgando tão só, me vi diante de algo que precisava de minha atenção, meu amor ou  somente de alimento. Eu dei tudo, e como agradecimento não recebi apenas o carinho de quem está grato, mas de quem vive apenas para me trazer alegria.  Fizemos um acordo sincero: eu dava atenção e em troca recebia um motivo para continuar sorrindo. 
Eu tinha quem me observasse com cuidado quando distraída, quem fizesse gracinhas quando eu estava de mau-humor ou simplesmente se deitasse ao meu lado enquanto chorava baixinho, um calorzinho a mais aos meus pés nas noites frias, uma companhia que disputava atenção com meus cadernos e livros nas vésperas de provas.
Dois anos cativando e sendo cativada. Os problemas não evaporaram. Aprendi, entretanto, a encontrar felicidade. A minha eu tinha, em parte, bem ao meu lado. E me fazia rir por coisas tão bobas que eu me pegava perguntando pra quê insistir na tristeza, se meu humor melhorava instantaneamente.




A saudade que eu sinto é dessa cura para o meu coração.
Embora eu tenha aprendido a ser feliz com a simplicidade,
o tempo continua fugaz.
E fica o vazio 
de quem se despede cedo demais.






À todos que encontraram a felicidade em algo simples - ou alguém- e fizeram disso um novo motivo para continuar. E à todos que sentem falta disso.

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