10 de setembro de 2010

Incerteza

Como pergunta vai, pergunta vem, a certeza vai, e então a dúvida. Logo chega aquela brecha em que você procurava, um break pra sua vida. Novos ares.
Você coloca roupas na mala, todos os teus pertences e finge que está tudo bem. É como se você estivesse selecionando o que vai levar consigo. Só roupas e tudo o mais que é palpável. Angústias e medos... não, esses não cabem. E ficam. O vazio é o que resta, é a única testemunha da lágrima que rolou de um rosto triste e confuso, enquanto camisas e calças eram cuidadosamente dobradas à sua frente.
Não só teu corpo mas tua alma caem na estrada. É um adeus, porque o retorno não será como a ida. Depois que teu espírito atravessar os limites da cidade, nada mais será como antes. Foi a forma que você encontrou de definir onde termina um sentimento. E lá estava você, sentindo um aperto desesperador a cada quilômetro que se afastava. Finalmente chega, e ao descer do carro, sabe estar no lugar certo. Na primeira noite, você até pensa um pouco na vida que deixou para trás, mas faz o possível para dispersar a mente e dorme.
É no dia seguinte que você encontra uma forma de recompensar-te por tudo o que tem passado e se divertir. Talvez você pense que tudo é muito bom para ser verdade. Mas acredita.
Nos dias seguintes você percebe que o que ficou para trás não te pertence mais. Percebe que pode estar cercado de amor se quiser, pode encontrar-se finalmente. E que pode ter todo o apoio que precisa para começar do zero, porque nunca esteve só. Você não se acha mais um ser humano estranho, com manias sem sentido e perdido em meio à uma multidão. E você gosta do universo que acabou de descobrir. 
Mas como tudo o que é bom, o fim chega. Porque aquele outro universo abandonado ainda te chama. Há algo para ser terminado. E quando você percebe que isso implica a tua infelicidade, chora. Chora muito. De repente nem teus amigos são mais o suficiente para te prender naquele lugar. ''Por que devo voltar?''.
Na despedida, sente uma última lágrima rolar, enquanto acena da janela do carro para aqueles quem ama. O sol caminha pelo céu conforme o tempo passa. E a cada quilômetro que se afasta da cidade, novamente seu coração aperta, mas dessa vez por um motivo diferente.
Ao chegar em casa, vê tudo do jeito que deixou. Até o vazio.
E sua vida continua, seguindo a mesma rotina, as mesmas pessoas, os mesmos lugares. Mas algo mudou muito. Você não aguenta mais quem grita por qualquer motivo, quem faz as mesmas piadas, quem é imaturo, quem não te dá valor, quem te cumprimenta todo dia automaticamente, quem diz que te ama da boca pra fora, quem acha que sabe o que quer, quem não se esforça porque acha que tudo é muito difícil, quem só sabe falar de vestibular. A cara da tia da cantina te enjoou, os salgados têm sempre o mesmo gosto, os teus colegas se vestem sempre iguais, tudo é muito previsível e sem graça. Você morre de vontade de contar para os amigos sobre suas reflexões nos últimos dias, mas tudo o que eles dizem é ''Bacana''. 
Aonde foi parar a vontade de acordar, de sair? E para onde foi o prazer que era estar entre amigos e familiares? Ficou para trás, ficou onde você estava feliz. Lá você encontrou as respostas paras a maioria das perguntas que levava consigo quando chegou. 
As incertezas invadem sua alma: será que estou fazendo a melhor escolha? Esse é o meu destino?
Enquanto isso, a angústia toma conta, enquanto você se enfia entre quatro paredes e tenta elaborar palavras difíceis para dizer, porque no dia seguinte você tem algo a resolver e alguém para magoar.






Um comentário:

  1. Se eu tentasse escrever como me sinto nesse momento, o resultado não teria sido tão preciso e tão correto como no que escrevestes. Às vezes é como se você fosse meu Eu Lírico, Carol! hauiehaieh
    Sempre escrevendo tão bem, e sempre me emocionando! sua danadinha!

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